Com uma cerimônia de encerramento que de forma justa, lembrou até dos bravos oficiais responsáveis pelos resgates de vítimas e sobreviventes, do trágico acidente aéreo ocorrido na capital paulista nesse mês, reflexo da incompetente e obsoleta máquina de gestão pública, chegaram ao fim os XV Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Não custa, porém, sempre deixar claro, que foram os jogos do Rio, e não do Brasil, como alguns, entre eles facções da imprensa especializada, insistiram em dizer desde a última sexta-feira 13, para quem quisesse ouvir.
Durante esses 16 dias que vivemos, indiscutivelmente, a cidade maravilhosa ficou ainda mais bela, com a alegria de um povo que sabe ser feliz, mesmo "atolado" em problemas, com a infinidade de turistas de toda a América, com a diversidade de delegações e modalidades, com a sensação de paz, ainda que momentânea. Também é indiscutível, o sucesso dos esportistas brasileiros conquistando um numero jamais visto de pódios, superando todas as marcas em medalhas de ouro e alcançando a maior quantidade de medalhas de bronze dentre todos os países participantes; como reflexo desse evidente sucesso, o projeto inicial de superar o Canadá, como terceira força pan-americana, foi atingido com tamanha rapidez e facilidade, que o fato de concluir as disputas com apenas cinco ouros a menos que Cuba, soou como decepcionante.
Convém analisar contudo, que o fato de setores da imprensa generalizarem a disputa, supostamente vimos o Pan do Brasil, foi apenas mais um de seus graves equívocos, predominantemente em veículos abertos. É horrendo a capacidade deles, em fantasiar, deturpar e distorcer, excessivamente, algumas circunstâncias. Como já relatado anteriormente, a campanha brasileira no Pan 2007 foi sublime, mas tem aspectos fundamentais. Faz-se necessário afirmar, que norte-americanos, cubanos e canadenses, as potências continentais, não disputam pan-americanos com suas equipes principais; fato que não é exclusividade do Rio, não será e nunca foi de lugar nenhum, tratando-se apenas de prioridades e planejamento, e em momento algum é alertado pela grande mídia. Acreditar que o volei, que o hipismo, que o futebol ou que a vela irão conquistar ouros olímpicos, sem dúvida, é possível; mas levar todo o povo brasileiro à acreditar que nas Olimpíadas, o esporte do País vai ter um desempenho semelhante ao observado no Pan, é uma atitude do mais baixo nível, um sensacionalismo barato e nefasto. Como exemplo mais simplório, pode-se pensar no caso do nadador Tiago Pereira, o maior medalhista num mesmo Pan-Americano: suas marcas não passaram nem perto de nenhum recorde mundial e estão todos aquém do bronze das últimas Olimpíadas; mas para Galvão Bueno o pobre Tiago é o novo herói nacional que libertou a pátria do monopólio norte-americano em torno das medalhas de ouro, transferindo para o jovem, apenas promissor, uma responsabilidade que não é dele.
Se a atitude de segmentos da imprensa é profundamente lamentável, espera-se que por parte do Governo Federal venham atuações mais sóbrias, com a prestação de contas sobre a gestão orçamentária do Pan-Americano, com uma política de incentivo ao esporte concreta, pela qual tanto se clama em épocas como essa, e com garantias, sobretudo, de que a mobilização político-estrutural montada no Rio, capaz até de reduzir sensivelmente os números da Guerra Civil carioca, não sejam uma ação efêmera e com prazo de validade tão curto e que, na medida do possível, estenda-se à outras metrópoles brasileiras.
coluna UniBrasil Esporte Clube
Band Sports
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