17 anos não é pouco tempo. Na verdade, representam quase duas décadas. Veja você... Diria que é um período no qual é possível fazer muita coisa; muita coisa de bom, muita coisa de ruim... É bem provável que todos percam bastante tempo em 17 anos, e nem se dêem conta, pois 17 anos é realmente tempo pra caramba. 17 anos é um tempo representativo em qualquer era geológica; assim, nunca deixaria de ser num clube de futebol. E é por esse tempo todo, que Rogério Ceni tem prestado seus significativos serviços para o clube do Morumbi... Deixou de ser um simples atleta, o goleiro integrante do elenco profissional, o capitão, se assim preferir, mais um jogador, isso há pelo menos sete anos. Virou, legitimamente, uma entidade do que se conhece popularmente por São Paulo Futebol Clube.
Rogério Ceni é um paranaense nascido em Pato Branco na década de 1970, com 34 anos completados no último dia 22 de janeiro. Certa vez mudou-se para a cidade de Sinop, no Mato Grosso, onde foi apresentado, definitivamente, ao futebol (nós, são-paulinos, aclamamos e rezamos diariamente por essa mudança...). Era jogador de linha no time de funcionários do Banco do Brasil do município, até o dia em que o chefe, goleiro, não pode disputar um campeonato. Rogério assumiu a camisa 1, sem nunca mais ousar abandoná-la dali para frente; um acaso do destino, produziu o maior goleiro que o Morumbi já viu jogar, aquele que seria o único com capacidade suficiente para revolucionar a posição, mais de uma década depois.
Rogério Ceni profissionalizou-se, e antes de desfilar a sua singularidade pelos gramados da América Latina e pelo mundo a fora, atuou pelo Sinop, onde se tornou campeão mato-grossense de 1990. Era o primeiro passo de uma carreira, indiscutívelmente, brilhante.
Rogério Ceni assinou seu primeiro vinculo com o São Paulo, no abençoado dia 7 de setembro de 1990. A partir de então, fundamentou uma relação de reciprocidade inatingível e absolutamente indestrutível, daquelas que marcam épocas, gerações inteiras, estendem-se pela posteridade... Com o seu time do coração, e do meu também, ele tem sido capaz de realizações extremas e feitos demasiadamente relevantes.
Rogério Ceni passou ao elenco de profissionais em 1993, e logo em seu primeiro ano, estreiou com o manto tricolor. Curiosamente, sua estreia aconteceu na Espanha, contra o time do Tenerife, em um torneio amistoso, num jogo em que a equipe brasileira goleou por 4 a 1. Assim sendo, o goleiro esteve no grupo de Telê Santana campeão mundial naquele ano, frente o Milan no Japão. O prenúncio mais óbvio do que ele faria 12 anos depois, num mesmo mundial, no Japão, contra um timinho europeu qualquer...
Rogério Ceni assumiu a condição de primeiro goleiro da equipe, com a saída de Zetti em 1996, bi-campeão mundial àquela altura. Curioso é saber, que até 1992, o goleiro reserva era Alexandre e Rogério apenas a terceira opção. Com o trágico acidente automobilístico que tirou a vida de Alexandre, Rogério passou a ser o reserva imediato; Deus, realmente, escreve o certo por linhas tortas. Assim sendo, ele mantém a titularidade absoluta no gol são-paulino pelos últimos 10 anos de maneira intacta. Um feito reservado para gênios...
Logo no primeiro ano como profissional, Rogério teve a sua primeira oportunidade de cobrar uma falta numa partida oficial, sob o comando do treinador Muricy Ramalho. Não demorou muito, e já ao dia 15 de fevereiro de 1997, o arqueiro marcou o seu primeiro gol, em uma cobrança de falta contra o União São João de ArarasSP, frente o goleiro Adinan. Rogério já repetiu essa façanha por 45 vezes, além das outras 31 em cobranças de pênalty. O recorde absoluto é de 76 gols, jamais alcançado por nenhum outro goleiro na história do futebol mundial. O número de gols de faltas também é recorde, mas o de pênaltys ainda não: o mexicano Jorge Campos alcançou a marca de 44, mas nunca conseguiu marcar em cobranças de falta, o que, convenhamos, é muito mais complicado. Quase 10 anos depois do primeiro, Rogério quebraria o recorde absoluto de José Luiz Chilavert, que marcara 62, numa falta contra o Cruzeiro no Mineirão, numa partida em que marcaria dois gols, pegaria um pênalty, dias depois de ser o vilão da final da Libertadores, contra o Internacional. No banco, o técnico era Muricy Ramalho...
Rogério contabiliza nesses últimos 17 anos 759 partidas oficiais; o segundo jogador com o maior número de jogos é o também goleiro Waldir Peres, que alcançou a marca de 617, outro recorde que seria quebrado no Mineirão, dessa vez frente o Atlético Mineiro. Durante esse tempo, Rogério conquistou dois Mundiais, duas Libertadores, um Brasileiro, três Paulistas... ao todo, já são 13 títulos, uma marca histórica. Fora isso, o cara já foi a duas Copas do Mundo, e trouxe um título. Também, tem sido imbatível em conquistas individuais: é o goleiro com mais gols na história, com mais jogos disputados pelo São Paulo Futebol Clube, com mais jogos em Brasileiros, com mais jogos e maior artilheiro do clube em Libertadores, o único goleiro a marcar gol em Mundiais... E por aí vai, uma lista tão interminável quanto extensa... O próximo virá em 234 minutos: é esse o tempo que falta para o goleiro alcançar a marca de mais tempo sem levar gols consecutivamente, em Campeonatos Brasileiros. Para ser o recordista, ainda terá de passar mais dois jogos em branco (Santos e Figueirense) e chegar aos 9 minutos do segundo tempo da partida contra o Internacional, dia 30 de setembro, sem sofrer gol. Aí se igualaria aos 1.132 minutos que Jairo, ex-Corinthians, registrou no Brasileirão de 1978.
Tudo isso, o mais fanático são-paulino já sabe e sente-se orgulhoso. O que ainda não sabe, é sobre o futuro... Rogério tem contrato até 31 de julho de 2010; o reserva imediato, Bosco, já tem 32 anos; o terceiro goleiro, Bruno, e o quarto, Weverson, que estavam sendo preparados para assumir o gol após a aposentadoria de Ceni, sofreram grave acidente automobilistico em agosto do ano passado: Bruno recupera lentamente os movimentos e Weverson, morreu naquela fatídica madrugada de sexta-feira...
Enfim, uma coisa os são-paulinos exigem: que o felizardo substituto de Rogério Ceni, seja tão são-paulino quanto qualquer um dos que sentam na arquibancada do Morumbi. Coisa que o "mito maior", eterno camisa 1, o verdadeiro Capitão-do-Tri, tem provado ser nos últimos 17 anos...





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