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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

só mesmo no Brasil...

Quando vemos no País, que o terceiro homem da República é acusado de atuação fraudulenta em processos de licitação pública, usa de mecanismos ilícitos no custeio de pensão alimentícia, crime da pior espécie, têm ligações suspeitas com aparatos de radiofonia em seus redutos eleitorais e, ainda, apresenta participações duvidosas em meios pecuários, depois de exibir provas frias, no intuito de rebater tudo o que lhe acusam... Quando vemos no País, que um sujeito desse nível não é cassado em virtude de todas as suas "fraucatuas", numa sessão a portas fechadas e com votação secreta... Me parece ser prudente acreditar que algo não está certo; e não está mesmo.
Na mesma semana, o atacante Nilmar definitivamente chega a um consenso com seus pares, e de uma vez por todas, acerta a sua saída do Corinthians. Na mesma hora, o que se nota é uma horda de urubus tentando tirar vantagem e buscando arrebatá-lo antes que outro venha e faça o mesmo. Em caminho similar encontra-se seu empresário e potencial representante legal, Orlando da Hora, que mostra-se muito mais propenso a atrapalhar, do que contribuir para uma definição ágil e a liberação do jogador, fundamental prejudicado, para exercer seu direito de trabalhar livremente.
Nilmar sofreu gravíssima lesão no joelho direito, rompimento do ligamento cruzado anterior, num clássico entre Corinthians e Palmeiras no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro de 2006. Foi submetido a uma intervenção cirúrgica que o deixou parado por longos sete meses; Nilmar era naquele momento, o melhor atacante do time campeão brasileiro oito meses antes e tinha sua situação muito bem encaminhada na trilha da Seleção, além de um contrato renovado.
Cinco partidas após seu retorno, o destino quis que o Corinthians voltasse a enfrentar o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista de 2007, e Nilmar sofreu lesão similar, agora, no joelho esquerdo. Decorria o mês de março e apenas na semana passada o jogador foi liberado para as suas atividades normais; normais é cortesia da minha pessoa, pois em suas sete horas de treinos diários, não é submetido a cabeceio, uma vez que esse exige saltos, descartáveis nessa fase de readaptação.
Mesmo jogando meia dúzia de partidas nos últimos doze meses, seu retorno evidência que suas qualidades passaram intáctas pelos centros cirúrgicos; de acordo com Nilmar, no Brasil foi procurado pelo Internacional, pelo Santos, pelo São Paulo e pelo Flamengo. Assim sendo, concretizou seu retorno para o Inter por 8 milhões de reais, quitados pelo clube do Beira-Rio em conjunto com um investidor nacional; ao que parece, para o Flamengo não passou de um devaneio, do São Paulo veio apenas uma sondagem e do Santos o fortíssimo lobby de Luxemburgo. Venceu o ditado "o bom filho a casa torna"...
Que o jogador era um antigo sonho do São Paulo, além de uma evidente prioridade, nós já sabíamos. Não sabíamos que, assim como foi com Zé Roberto e Tcheco, nos exemplos mais recentes e marcantes, a diretoria deixasse mais um reforço de alto nível escapar. Não é de hoje, no entanto, que a administração Juvenal Juvêncio-João Paulo de Jesus Lopes-Marcelo Portugal Gouvêa, se recusa a participar de "leilão", situação típica em casos como esse. Por essas e muitas outras, reafirmo que algo não está certo.
Como são-paulino doente, fica difícil digerir logo de cara essa "iguaria indigesta"; devo frisar, contudo, que é possível se conformar, seguir vivendo, sem deixar de ressaltar o fato de que se Nilmar fosse para o Santos, seria bem mais traumático... melhor assim. Como brasileiro, doente fiquei pelo fato de vigaristas como Calheiros, seguirem intocáveis nos postos mais altos da República. Meus pêsames...

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