
A vitória de ontem do São Paulo frente o Boca da Argentina, foi daquelas marcantes. O clima era de Libertadores e seria impossível estar indiferente a isso, desde o primeiro apito do arbitro Carlos Chandía, do Chile. O Morumbi cheio, compõe um cenário de sonhos quando se trata de uma competição internacional; os mais de 46 mil são-paulinos que estiveram lá, não só formaram o ambiente mais propício para que o Tricolor mandasse os argentinos ao dentista (lugar de Boca é no...), mas também foi o maior diferencial na conquista da vaga para as quartas-de-final. Se em Buenos Aires, uma semana atrás, os torcedores que foram à La Bombonera não impediram o gol de Borges, nos acréscimos, o verdadeiro gol da vaga, ontem a noite nem Palermo nem Palácio nenhum seria capaz de furar, a intransponível barreira dos donos da casa. Além das vozes das arquibancadas, Rogério Ceni foi novamente imbatível sob todos os aspectos, Breno, Alex Silva e Miranda mais uma vez deram uma aula de marcação sem violência, na bola, na técnica... Nenhuma homenagem seria mais justa, no dia da morte de Roberto Dias, um dos grandes nomes da história tricolor.
Se na defesa o frisom das arquibancadas este soberano, nenhum time tem hoje meio-campo mais cerebral; em inúmeros momentos ele cadenciou o jogo, ditou o ritmo, chamou a responsabilidade. Verdadeiro papel de um verdadeiro camisa 10... infelizmente esperar de Souza, não é das coisas mais fáceis, ainda mais num dia em que ele esteve até machucado. Na vertente contrária, está Hernanes. O novo camisa 8 foi divino. Passar por ele era uma missão ingrata. Se não fosse o bastante marcar feito garçom em rodízio, o rapaz tem qualidade na saída de bola, capacidade de condução, visão de jogo, arremate com os dois pés (sem cair, incrível...). Não é meu intuito comparar,não existe possibilidade, mas Josué nunca teve metade da qualidade de Hernanes com a bola em seu domínio; e para piorar, Hernanes é um garoto na flor da idade, que ainda vai aprender muito, melhor muito... São-paulinos, não quero nem pensar.
Outros estiveram tão bem, como pouco se viu. Leandro, o Guerreiro, corre incansavelmente e tem a qualidade que falta aos grandes marcadores, com exceção de Mineiro é claro. Dagoberto é o craque do time (Rogério não é craque, espertinho! Craques são mortais...), em um lance decide um campeonato; jogadores comuns decidem jogos e jogadores como Dagoshow decidem campeonatos, meus caros. A rapidez de raciocínio do cara é espantosa e a sua destra é propícia para jogadas magistrais. No lance do gol, a bola passada por Rogério (aquilo não é simplesmente uma reposição de bola...) caiu nos pés santos de Dago, que quebrou a espinha do argentino. Para não dizer que não falei das flores, falando em gol, um herói merece uma citação em especial. Aloísio. Só sujeitos predestinados como ele, podem se dar ao luxo de começar no banco e acabar como melhor em campo. A força física de um tanque, é apenas mais um dos atributos dessa peça primordial do elenco; sua inteligência é marcante e a raça se sobressai. O chute de canhota, na frente do arqueiro Caranta, foi dado com a força, com a raiva, com o tamanho do ódio que sentíamos daqueles Meia-Boca; nem mais fanático torcedor chutaria com tanta perfeição e de maneira mais bem feita como o nobre camisa 14.
Mas são-paulino, pense comigo: Aloísio, destro, destaque com a perna esquerda? Exatamente. Bingo!!!!! São Paulo tricampeão mundial contra o Liverpool. O clima de ontem no Morumbi, o dia 26 de setembro de 2007 desde as primeiras horas da manhã, tudo era identico àquela manhã de domingo, 18 de dezembro de 2005, em Yokohama. E o final... Escanteios consecutivos, São Paulo sem posse de bola, cruzamento para área na busca da cabeçada do centroavante. Se o poderoso Liverpool de Gerrard (chora gringo...) foi incapaz de vazar Ceni, doce ilusão acreditar num timinho feito o Boca.
Hoje sai a convocação de Dunga para os dois primeiros jogos da Seleção Brasileira nas Eliminatórias para Copa, frente Colômbia e Equador. Depois do baile de ontem, ficaria difícil admitir qualquer coisa diferente de Rógerio, Breno, Miranda, Hernanes, Jorge Vágner, Dagoberto, Leandro e Aloísio entre os selecionáveis. Resta lamentar que seja tão difícil reconhecer o óbvio...





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