Abro os trabalhos tratando de um assunto delicado: o futuro do futebol brasileiro. Como em todos os anos desde o final da década de 1960, começa hoje, talvez a maior competição interclubes do Brasil. A Copa São Paulo reúne 88 clubes de todos os cantos, os mais inóspitos imagináveis, desse imenso País. São 22 grupos, sediados em 22 diferentes cidades daquele estado, colocando frente a frente atletas de até 18 anos.
Como clube favorito e dono de uma das maiores visibilidades, o São Paulo Futebol Clube apresenta dois bons destaques; o meia Sergio Motta e o atacante Eric, ambos com passagem pelo time profissional. Podem ser eles os próximos valores que sairão da base tricolor, revelados na Copinha; nesse caminho pode-se citar Kaká, Júlio Baptista e até mesmo Rogério Ceni, sem falar em Breno, que disputou a Copa no ano passado e hoje, já é zagueiro do Bayern de Munique.
Mas não é só o São Paulo que revela grandes estrelas a partir dessa competição, talvez suas raízes mais valorosas estejam exatamente no fato de desvendar verdadeiros craques, esquecidos nas divisões de base de equipes, país a fora. Certa vez, numa edição da década de 1970, um garoto foi destaque pelo Internacional, era Paulo Roberto Falcão, o Rei de Roma.
Ocorre, no entanto, que a globalização do futebol e a vasta geração de novos talentos, deturpa bastante o propósito mais importante. Se a Federação Paulista, promotora do evento, se gaba de que os estádios, em parte significante das partidas, tem grandes públicos, deve-se notar que parte ainda mais significante trata-se de empresários em busca de uma chance de engordar ainda mais os cofres da noite para o dia e sem maiores esforços. O zagueiro Breno, mencionado ainda há pouco, é um ótimo exemplo. Um empresário que investiu cerca de R$ 400 mil para adquirir 30% dos direitos econômicos do jogador, segundo a diretoria do São Paulo, vai embolsar pela venda ao clube alemão algo em torno de R$ 10 milhões! A disparidade não só assusta, como também fica difícil acreditar...
Contudo, esse é um mercado em expansão e que movimenta fortunas. Ainda que não ilegal, algumas situações observadas podem e devem ser discutidas. A FIFA mantém uma listagem mundial com o credenciamento de representantes de jogadores, autorizados por ela a trabalhar. Porém quando se nota que atletas são abordados ainda na infância, fase em que o futebol não passa de um brinquedo que a criança adora e não quer largar, muitos conceitos precisam ser revistos e o problema fica evidente. Acontece, também, que os empresários atuam, talvez, na parte mais frágil dessa teia toda, os próprios pais. Esses vêem nos filhos a chance da fama, de ganhar muito dinheiro em curto espaço de tempo; alguém oferece vida nova, emprego, estabilidade, em troca de um contrato dando poderes a esse quase "desconhecido"; tempos depois ele lucra fortunas em negociações impressionantes com o exterior, enquanto o futebol do País perde seus valores de forma precoce os clubes deixam de ganhar muito.
O circulo vicioso piora quando se imagina que nem todos os "Brenos" vão se transformar em R$ 10 milhões, o caso não passa de uma loteria maquiada. E torneios como o que começa hoje contribuem de modo decisivo para a instalação do caos. Alexandre Pato saiu do Internacional em 2007 mais só pode jogar em 2008 pelo Milan em razão da pouquissima idade... O quadro é preocupante e hoje tomou as maiores proporções; nada foi feito no início e agora parece ser tarde demais.
coluna UniBrasil Esporte Clube
Band Sports
sábado, 5 de janeiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)





Nenhum comentário:
Postar um comentário