Tenho um grande amigo na faculdade. "Ele é de Bandeirantes, mas é meu amigo". Outro dia falamos de Falcão, o melhor jogador de futebol de salão do mundo. Doce saudosismo. Falamos daquele que um dia pisou o solo sagrado do Morumbi, trajado com o manto tricolor; mas que o ego de Emerson Leão não deixou estar...Com a saída do atual treinador do Santos, em meio a uma Copa Libertadores é justo que se diga (para honrar um compromisso de palavra, segundo os dizeres do sujeito), o caminho estava livre para a ascenção de Falcão, mas já era tarde. O rapaz já estava decidido à voltar para o salão, com o devido respeito que uma majestade merece.
O tempo passou, o São Paulo ganhou aquela Libertadores, com a benção de Paulo Autuori, retornou ao Japão, conquistou o mundo pela terceira vez; hoje, detem até o inédito bi-campeonato brasileiro, feito impossível até para o Mestre Telê... Além disso tudo, atua no tricolor atualmente, não um rei, feito Falcão, mas um Imperador.
Adriano não repete nem de longe seus bons tempos de Internazionale; nem por lá faria grande coisa, no estado em que se encontra. Contudo, seu papel no time tem que ser entendido de outra maneira. A respeitabilidade e a imposição do cara é que fazem a diferença, na realidade. É hilário vê-lo marcado na Libertadores e em certos jogos do Paulista. O fato de estar parado nas proximidades da área, não diminui sua importância. Às vezes irrita, mas pior mesmo é que revela uma completa incoerência.
O melhor jogador de futebol de salão do mundo, chegou ao São Paulo em 2004 como grande "reforço" para a Libertadores, como genial ação de marketing do presidente Marcelo Portugal Gouveia (descobriu-se as negociações com a Malwee de Jaraguá quando tudo já estava acertado, seria brilhante, se não fosse trágico), mas cercado pela desconfiança dos que não sabem esparar; gente da mesma estirpe daqueles que expulsaram Kaká do Morumbi meses antes, e não acreditavam ser possível a adaptação para o campo, sobretudo pelo aspecto físico.
Não gostaria que soasse como oportunista, mas era evidente que esse era o menor dos obstáculos; quem já jogou futsal uma vez na vida, sabe como o que é correr pelos 18 metros quadrados da quadra: estafante, impensável para quem não está tinindo fisicamente. E Falcão estava. Além disso, tão fundamental para o futebol de campo é a capacidade técnica e de raciocínio, controle de bola e fundamentos, estabilidade emocional, raça... Para ajudar, se é que é possível usar esse termo, Leão usava o rapaz como meia (quando usava...), longe da área, para acompanhar volante adversário ou sei lá quem. Chegou a cometer o impropério de dizer que enquanto fosse treinador do São Paulo, Falcão não atuaria; criticou a joia rara, chamando-a de individualista e improdutivo (me lembro dessas palavras, como se fosse hoje); foi incapaz de acreditar e apostar no óbvio, fazer o negócio da sua vida, imcompatível com quem lançou Robinho e Diego para o planeta. E assim, longe da área, como esse blog está da perfeição, Falcão foi sucumbindo e desistindo do último grande empreendimento da sua vida, alcançar a seleção brasileira no futebol de campo... Estava na cara que para-lo seria indigesto, suas finalizações com irrelevante margem de erro, a bola em seus pés e de mais ninguém...
Então, olho hoje para o time do São Paulo e vejo Adriano estático e pouco produtivo nas adjacências da grande área, quando não na da pequena; não entenda como crítica ao atual camisa 10: trata-se de exercício de comparação. Adriano sobrevive como titular do São Paulo junto ao subterfúgio que aniquilou Falcão do time, justo o melhor jogador de futebol de salão do mundo. Verdadeiro desperdício, imperdoável em tempos de aquecimento global, sutentabilidade e essas "babozeiras" todas. Resta lamentar nobre são-paulino.
Aliás, é bom que se diga, outras coisas que me ocorrem agora... Marcelo Portugal Gouveia foi o presidente que sonhou com Falcão no tricolor. Foi ele quem reconduziu o São Paulo ao topo do continente e do planeta. Gouveia assumiu o mandato passado por Paulo Amaral Vasconcelos, um bacaca que em mais dois anos quebraria as finanças do clube por sua incapacidade de gestão e chegou a se desentender com Rogério Ceni, quase fazendo o ídolo supremo despedir-se e ir desfilar seu brilhante futebol no Arsenal da Inglaterra.
Marcelo foi eleito, reeleito, e pela índole que tem, deixou para seu sucessor um clube estruturado, dono do seu próprio dinheiro, que vive em função das próprias pernas, campeão mundial e sul-americano. Juvenal Juvêncio, antes diretor e brilhante em tal função, pegou o time, continua com a rentabilidade finaceira, revelou Breno, Hernanes, contratou Miranda, vendeu Souza...
Entretanto, o choque de gestão preocupa. Juvenal tenta fazer de Muricy o novo Telê Santana, até contrato renovado fornece ao pupilo; estende o vínculo de Richarlyson e é incapaz de montar uma equipe e um elenco realmente estruturado. A promessa de cobrir o Morumbi não ameniza as coisas, muito menos a de trazer "o" craque, temporada após temporada, mas nunca concretizada... A impressão que fica, é a de que enquanto a dupla Juvêncio - Muricy ficar no São Paulo, não ganharemos nenhuma Libertadores, inadmissível! Ao que me parece, na gestão de Gouveia, jamais o grupo sãopaulino teria jogadores feito Adriano ou Carlos Alberto; jamais teria a atitude anti-estatutária de estender em doze meses o mandato e se apropriar em benefício próprio; jamais faria grandes esforços para renovar com o lesionado Alex Silva poucos meses após se desfazer do lendário Breno... Tudo bem que o atual mandatário, e sua política um pouco duvidosa, permeada de palavras pomposas e até convincentes, tenha alcançado o penta campeonato nacional. Prefiro crer em quem foi campeão mundial...
Realmente, a imagem dessa postagem em nada condiz com o texto, paciencia...





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