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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Feitos um para o outro


do Fifa.com

A relação do atacante Fernandão com o São Paulo ainda não tem nem duas semanas de duração, mas parece vir de longa data. Na verdade, depois de uma estreia impecável na vitória sobre o Cruzeiro por 2 a 0, que só ajudou a reforçar a empatia do experiente meia-atacante com a torcida, talvez não fosse exagero pensar que o jogador e o clube foram feitos um para o outro.

As trajetórias do veterano e do time hexacampeão brasileiro já se cruzaram diversas vezes, mas só agora se coincidem. Ambas as partes esperam que o segundo passo dessa vida conjugal, na partida de volta pelas quartas de final da Copa Libertadores da América, nesta quarta-feira, no Morumbi, seja ainda mais próspero.

A diretoria são-paulina nunca escondeu muito bem o desejo de contar com Fernandão, que já defendeu Goiás, Internacional, o Al-Gharafa do Catar, e, na França, Olympique de Marselha e Tolouse. Não demoraria, então, para que seu nome passasse a ser especulado como uma aposta de reforço entre os torcedores, que se dedicaram a cortejá-lo.

“O contato com o torcedor tricolor já vem de um bom tempo. Existia esse rumor de que poderia vir. Então, quando passava aqui em São Paulo, ou quando me encontrava com são-paulinos Brasil afora, sempre me trataram superbem, foram muito gentis. Em todos os lugares e gente de toda classe”, diz o jogador de 32 anos ao FIFA.com. “Isso aí sempre me deu muito ânimo de poder vir para cá.”

No princípio era o flerte
Após um longo namoro, o clube conseguiu realizar a contratação neste mês de maio, apresentando Fernandão no dia 8. No dia 12, ele já estava em campo no Mineirão, para dar um belo passe na jogada do primeiro gol e, depois, fazer a assistência, de calcanhar, para o segundo. Tudo à primeira vista.

“Quando se concretizou essa possibilidade de jogar, foi criada uma expectativa muito maior”, disse. "Ter feito a partida de estreia da maneira que fiz, o time ter vencido do jeito que foi, ajudou mais ainda. Foi o cartão de visita. Fiquei muito feliz com minha atuação e ainda mais pela vitória.”

A primeira sondagem por parte do São Paulo aconteceu em 2007, por meio de Tata, auxiliar do ex-técnico do clube, Muricy Ramalho, quando o vínculo de Fernandão com o Inter, pelo qual venceu a Copa do Mundo de Clubes da FIFA Japão 2006, estava por vencer. “Ele comentou comigo que, se tivesse a possibilidade de conversar com o pessoal, havia interesse. Mas acabou que renovei na época”, afirma. O jogador ficou no Colorado até o fim de 2008 e, depois, se transferiu para o Al-Gharafa, do Catar. Quando retornou ao país, fechou com o Goiás. Até retomar as conversas com o time tricolor.

Operação França
Se Muricy já não está mais no clube, Fernandão agora reencontrou Ricardo Gomes, conhecido de sua passagem pela França, entre 2001 e 2004. Os dois chegaram a se enfrentar, nas contas do atacante, por pelo menos quatro ocasiões, embora o contato não fosse muito próximo. “Conversamos pouco sobre essa época, sobre o Bordeaux, o Marselha. É claro que ele tem uma vida muito mais vinculada à França do que eu. Guardei muitos amigos, mas não pude retornar sempre.”

Outro ponto que estreita essa conexão francesa e, ao mesmo tempo, tricolor é a admiração de Fernandão pelo futebol do ex-meia Raí, ídolo são-paulino nos anos 90, a quem foi comparado em Marselha até em manchete de jornal. “Sempre foi um cara que admirei, que não deixa de ser uma referência. Mas acho que a semelhança fica mais na aparência física, por ser um pouco mais alto e por saber jogar com a bola por baixo. Quando cheguei lá, achavam que eu só jogava por cima, mas, quando mostrei que podia fazer tabelas, bons passes, acho que fizeram essa ligação. Mas deixo essa comparação bem longe, porque o Raí é outra coisa.”

De sua experiência na Ligue 1, Fernandão valoriza seu aprendizado tático. Foi lá que a função de meia passou a ser associada definitivamente à de atacante, citando os técnicos Albert Emon e Alain Perrin como figuras importantes nesse crescimento. “Nunca fui um jogador de área, aquele que só tromba com zagueiros. Sempre fui de muita movimentação e de buscar o jogo, de toque de bola, tabelar, proteger e segurar”, afirma. “Mas o grande impulso da minha carreira sem dúvida nenhuma foi na França. Já jogava algumas partidas como meio-campista no Brasil, mas lá cresci muito como jogador, porque passei a olhar o jogo de outra maneira, a me posicionar melhor dentro de campo, a jogar de frente para o gol e saber enfiar uma bola, penetrar no espaço vazio.”

A primeira impressão é a que fica?
Essa bagagem tática certamente o ajudou a ter mais uma bem-sucedida estreia na carreira. Checando o currículo do atleta, sua apresentação contra o Cruzeiro não chega a ser surpreendente. “Não fiz muitas estreias, porque não joguei em muitos clubes. No Goiás, como profissional, foi em 1995, com 17 anos. Foi muito boa, e saí como o melhor em campo. Ganhei prêmios e pude ter uma sequência como titular nessa idade. No Toulouse, quando estava mais ambientado ao país, ganhamos fora de casa, contra o Lille. No Inter, foi logo num Gre-Nal, e ganhamos por 2 a 0, sendo que eu fiz o gol mil da história do clássico. No Catar, estreei fazendo dois gols”, enumera. “E agora estreei neste jogo desta forma.”

Seu toque de bola, facilitando a aproximação dos velozes Marlos e Dagoberto e do habilidoso Hernanes, foi fundamental para isso, desequilibrando na vitória contra um rival que até então estava invicto em casa. Ao final do jogo, Ricardo Gomes, depois de parcas sessões de treino com o veterano, afirmou que ele parecia um jogador do clube há anos. O que não espanta Fernandão.

“Estou me sentindo de um jeito que parece realmente que estou há muito tempo no São Paulo”, disse. “Aqui - e não falando só de jogador, mas de segurança, roupeiro, massagista, fisioterapia, de todo mundo - é incrível como eles te acolhem e tratam bem. Então, a única coisa que você tem de fazer é treinar bem e ir para o campo.”

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