Hoje, 16 de agosto de 2007, não é um dia bom para nenhum são-paulino. Pode até ser seu aniversário, da sua mãe, da sua avó, de seu cachorro, daquela gata inesquecível que você pegou no mês passado, mas nada pode haver de excepcional hoje. Ocorre que há exatos 365 dias, na cidade de Porto Alegre no estádio Beira-Rio, o Internacional empatava em 2 a 2 com o São Paulo, conquistava a primeira Copa Libertadores da sua história e sepultava o sonho do tetra-campeonato tricolor... Meus pésames a mim mesmo.
Dois aspectos, no entanto, me fazem relembrar dessa data tão repugnante. Primeiro, que perder uma final de Libertadores é como perder, sei lá o que... não tem como digerir; a competição sul-americana é o eterno anseio tricolor, e só quem é são-paulino de verdade é capaz de entender isso, ainda que seja impossível explicar; além de nós, só quem já provou do sabor inigualável de conquistar uma, sabe do que estou falando, não é mesmo corinthianos...
O outro aspecto, diz respeito a um tema, minimamente, delicado. Sabe-se que naquela final, Aloisio fez muita falta, que a expulsão de Josué, ainda no primeiro tempo da ida no Morumbi, foi decisiva, que Muricy estava no banco... Todavia, o maior responsável pelo empate, foi aquele que menos esperávamos: Rogério Ceni. Uma falha incomum no primeiro gol derrubou psicológicamente a equipe, que sucumbiu diante da destreza tática do time de Abel Braga, campeão do mundo quatro meses depois. Naquele momento, nada do que fosse feito salvaria a derrocada tricolor. Nadamos, nadamos, e morremos na praia...
É evidente que isso não deixou qualquer marca sobre a relação do goleiro com o clube, que ele defendeu com tanto brilhantismo; apenas permitiu que o enredo fosse perfeito, afinal, nenhum best-seller é feito sem a gangorra do destino. Por isso, hoje decidi reproduzir trechos da reportagem publicada pela revista Placar, na edição do mês de setembro de 2006, na seção "Personagem do mês", onde o jornalista Arnaldo Ribeiro define com rara felicidade o que faz de Rogério Ceni, uma entidade...
(...)"Tudo começou em 19 de julho, com a atuação épica diante do Estudiantes, pela Libertadores. Na decisão por pênaltis, Rogério marcou o seu e defendeu a cobrança de Alayes, quando tudo parecia perdido. Saiu mais uma vez como herói. Uma semana depois, teve a personalidade de costume para bater (e converter) o pênalti no finzinho contra o Chivas, no México. Mais um semana, outra vez o Chivas, agora no Morumbi. Rogério defende o pênalti de Morales quando o jogo estava 0x0 e empurra o time para mais uma final de Libertadores. Só que aí as coisas começaram a mudar...
No dia seguinte, em vez de curtir mais uma tarde de glória, Rogério estrilou com a comentarista do Sportv Milly Lacombe. Até que tinha razão, mas a questão é: outra vez ele provou que não consegue relaxar, usufruir, desligar... Nem nos momentos bons"(...)
(...)"Na sexta, Rogério acordou com a trágica notícia do acidente que feriu gravemente o terceiro goleiro do time, Bruno, e matou o quarto goleiro, Weverson; ele que era fã de Rogério, ele que começou a cobrar faltas incentivado por Rogério. No enterro do garoto, o grande símbolo deste São Paulo não segurou as lágrimas.
Rogério tinha quatro dias a partir daquele lamentável ocorrido para superar o trauma, motivar o resto do time, treinar exaustivamente faltas e pênaltis, liderar e, acima de tudo, preparar-se para não errar na partida que poderia valer o tetra na Libertadores.
E ele fez tudo isso. Ou melhor, quase tudo isso. Defendendo o gol 'abençoado' pelas mendingas do senhor que cuida do gramado do Beira-Rio, Rogério vacilou. Soltou uma bola que não costuma soltar, na sua maior falha seguramente nos dois últimos anos. Gol do Internacional. Intervalo e ele pára nos microfones. 'Errei. E em final não se pode errar.' Rogério estava derrotado"(...)
(...)"Bastaram quatro dias para tudo voltar ao seu lugar(...) Nesse dia histórico, no Mineirão, ele tornou-se o goleiro que mais gols marcou em todos os tempos, superando Chilavert"(...)
(...)"Com as conquistas do ano passado, sempre como protagonista (lembra o Mundial contra o Liverpool?), ele não é mais o 'bom perdedor'. Se faltavam taças em seu currículo, não faltam mais. Pelo número de partidas, pelos gols, pelos títulos, Rogério já é o jogador mais importante da história do São Paulo. Errar, todo mundo erra. Fazer o que você faz, ninguém faz, Rogério."
Aos colorados, em especial meu pai, meus respeitos...
coluna UniBrasil Esporte Clube
Band Sports
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Um comentário:
Meu nobre, agradeço por lembrar deste fato marcante para a vida de "nós" colorados e de vcs sao paulinos, pois realmente a um ano atrás o mais provavel era O TETRA DO SÃO PAULO mais veio a luz colrada e mudou está historia.Bom o que eu tenho para dizer é que não fique triste por isto, sorria pois mais titulos virão para o teu São Paulo e quem sabe daqui a uma década o meu colorado possa erguer a taça novamente.
OBS: vai sair esta mensagem como se a katy tivesse enviado pois estou no portal da sala.
um abraço Andreu...
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