Falar de Rogério Ceni é falar do São Paulo Futebol Clube. Ambos se descaracterizam quando tratados de maneira diferente. A união é tão forte e incondicional que é complicado comparar, em outras épocas, reciprocidade tão veemente. Talvez Pelé com o Santos, Zico com o Flamengo ou Falcão com o Internacional. Paixões que o tempo não é capaz de apagar. Atualmente, então, comparações desse nível são improváveis; apenas Marcos com o Palmeiras é capaz de se aproximar da relação de Rogério com o seu tricolor. Única, em sua essência.
A coisa é tão séria que o São Paulo é um antes, e é outro depois de Rogério Ceni. Antes do arqueiro, era o São Paulo bi-campeão mundial, bi-campeão sul-americano e tri-campeão brasileiro. Depois dele, chegou à quarta conquista nacional, ao status de único clube do País a possuir um tri-campeonato sul-americano e se igualou ao Milan, Boca Juniors, Real Madrid, Nacional e Peñarol no seleto grupo dos clubes tri-campeões do mundo. No entanto, Rogério ainda segue com o seu clube do coração, e é impossível dimensionar, ainda, quantas taças ele deixará no Morumbi.
Sem dúvida, Rogério deixa como legado, não só uma lista imensa e impressionante de títulos, tão comum para os simples mortais. Ele deixa também escrita, uma página marcante, na qual revoluciona, não só o clube que defendeu por uma vida inteira, mas a posição de goleiro como um todo. O que se via, eram goleiros incapazes de jogar com os pés, de pensar em outra coisa que não fossem os chutes injustificados para um lado qualquer, de pensar simplesmente, de cobrar um tiro de meta ou repor uma bola, com o mínimo de decência que se pode exigir; hoje nota-se como esses fundamentos, tão importantes para o futebol, são treinados exaustivamente; se vê com mais clareza, ainda, o advento de goleiros cobradores de faltas e penaltys, a marca mais marcante de um ser humano marcante.
Outras características que mereçem reverência no sujeito, é a capacidade e o despreendimento em declarar o amor, insuperavelmente verdadeiro, pelo clube, sem a necessidade de marketing barato ou inútil, beijos injustificáveis na camisa, ou declarações pejorativas, ofensivas ou desonrosas a quem quer que seja; mas com atitudes condizentes, ponderadas e inteligentes, atuações lineares e sem espalhafato, mostras singulares que o mais fanático torcedor não pode fazer.
Por tudo isso, na véspera da partida em que completa 750 jogos com o manto sagrado do tricolor, mais uma disputa importante na vida do goleiro e na qual apareçe com destaque de protagonista, comprova-se que os 74 gols, sendo 45 em cobranças de faltas e 29 batendo penaltis, e que os quase 17 anos de serviços prestados ao clube, não foram, não são e não serão em vão, na vida desse eterno são paulino.
Minha eterna gratidão...
coluna UniBrasil Esporte Clube
Band Sports
terça-feira, 7 de agosto de 2007
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Um comentário:
Ei, Cleverson!
Parabéns pelo blog. Não há melhor treino, especialmente para gente talentosa como você, do que escrever todo dia: sobre futebol, música, jornalismo, operação de amígdalas... Saiba que a lapidação de seu talento é uma poupança para mim, que sempre guardo vaidosamente o sucesso dos meus alunos.
Abraço,
Victor
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